Global Noise + Américas Indígenas





Somos parte dos movimentos internacionais que propõem a revolução política e econômica no mundo, a democracia direta, a descentralização dos poderes, a auto representação, a auto gestão e autonomia local.



descentralizar é a ordem

Somos a revolução mundial GlobalNoise, que fará mobilizações em todos os continentes durante o período de 12 a 20 de outubro e simultaneamente somos a revolução nas Américas, Sul, Centro e Norte. “Nada por comemorar, tudo por reconhecer” apresenta questões específicas ligadas à luta pela preservação dos recursos naturais, ao prejuízo histórico dos processos de invasão e colonização das Américas e à proteção aos povos e terras tradicionalmente ocupadas. A ideia é fortalecer as revoluções locais a partir de uma conexão entre reivindicações globais, e vice-versa. Um fluxo simultâneo nos alimenta pois nossa proposta é sustentabilidade, dignidade, reciprocidade, compartilha para toda a Humanidade. Não suportamos a estupidez e os efeitos do que regula a ordem de centralizar poderes.
“Global Noise - Nada por comemorar, tudo por reconhecer” propõe explicitar a conexão entre as especificidades das Américas, Sul, Centro e Norte e a Revolução Mundial. Estamos conectadas/os por propósitos fundamentais do movimento mundial, desde que todos os povos no mundo sofrem com a centralização dos poderes. É a mesma estrutura política centralizadora, insustentável e insana, que ainda tem lugar hegemônico no mundo, que oprime, corrompe, humilha, violenta e mata em todos os países. Temos, portanto, como eixo comum a descentralização dos poderes econômicos e políticos no mundo, e colocamos em evidência as conexões entre as diferentes situações vividas localmente e os interesses comuns que nos fazem apoiar a população de outros países que passam por desafios semelhantes, em suas especificidades regionais.


a conexão é a revolução mundial - 2011

Em maio do ano passado, 2011, na praça da Cataluña em Barcelona, a ação da polícia contra o movimento Indignadxs, marca a projeção das Acampadas no mundo. Inicialmente divulgado como um “conflito entre torcidas de futebol em Barcelona” nos jornais do Brasil em eco à midía da Europa, os “moços” da guarda foram apresentados “apaziguadores” do tumulto. 
Em poucos dias as redes sociais corrigiram as informações e mostravam que não se tratava de conflito entre torcidas de futebol que nada têm a reclamar sobre suas condições sociais, mas de um movimento que se propõe a revolucionar o sistema econômico e político hegemônico no mundo, criando alternativas e reorientando as negociações a partir de estratégias descentralizadoras dos poderes, uma Revolução Mundial. O conflito ocorrido na praça tratava-se do uso da força da polícia pelo governo espanhol, contra um movimento pacífico do povo pela salvação da economia espanhola que se encontra em crise. Era uma das muitas ocupações de espaços públicos por cidadãs e cidadãos que reagiam, e hoje apresentam propostas definitivas aos problemas gerados pela crise econômica e política na Espanha. Era a revolução que criando raízes e irradiando ramas que hoje começam a florecer.
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A repercussão da proposta de democracia direta, auto representação, encontrou solo fértil entre todos os povos, e o movimento impulsionou a organização de Ocupas, que tiveram como presença marcante o Occupy Wall Street com milhares de pessoas, uma gigantesca ocupação em Nova York. 
No Brasil os contatos se estabeleceram a partir das redes sociais atentas aos boicotes das mídias de massa enquanto espaços definitivos para a mudança do sistema político, já rejeitado por 99% da população que vive submetida a ele. Pensávamos sobre o quê as mídias de massa tentam omitir e porquê fazem. Por outro lado, das conexões online emergiu outro sistema de rede que transitava entre ações provocativas de "contra-cultura", reinterpretações e sugestões de desconstrução de projetos e sistemas sociais prontos, e ações de hackers, que tiveram seus ícones mais expressivos na publicização de informações secretas envolvendo governos de estado e corporações, entre esses grupos, os Anonymous Brasil passam a participar diretamente de movimentos sociais  ao envolverem-se na organização das ocupações, e suas redes passam a compor o ativismo online.
A partir de outubro do ano passado, o movimento internacional por democracia direta, democracia real, por auto representação se estabelece em mais de 950 cidades no mundo.


2012

Este ano as redes sociais ultrapassaram fronteiras entre movimentos locais e segmentados, indígenas, ambientalistas, pescadores, ribeirinhos, favelados, grevistas, sindicalistas, denúncias de chacinas contra trabalhadores e populações, projetos criminosos de lei, violência policial contra manifestantes: as queixas e exigências de populações no mundo inteiro ganham visibilidade nas redes sociais internacionais e tecem hoje uma grande teia que aguarda pela informação de conexões confiáveis, estabelecidas por mais de um ano. Passamos a triar as informações, e nos tornamos difusoras/es e fontes de informações que circulam na rede. Desse modo estabelecemos nas redes sociais espaço legítimo da comunicação contemporânea.

Um ano após a realização de atos, manifestações, calendários,e ocupações em todas as regiões no Brasil, blogs, grupos, perfis, páginas, eventos virtuais e in loco, marchas, entre elas a Marcha Xingu Vivo que percorre 5 mil quilômetros por 4 regiões brasileiras, articulando ativistas em todo o país, e que gerou este blog, grupos, perfis como parte de simultâneos movimentos, nos estabelecemos enquanto redes da comunicação contemporânea capazes de cumprir com as respostas e atividades necessárias à transformação desses sistemas, político e econômicos, centralizadores.

HOJE, outubro de 2012, aqui no Brasil, convocamos as ocupações já realizadas e convidamos para novas ocupações, movimentos e estratégias de ação in loco e online, e nas redes sociais, para revolucionarmos as organizações políticas e econômicas vigentes no mundo. Damos especial atenção ao que acontece hoje na Espanha, pois sabemos o quanto precisamos de referências para realizar a revolução em nosso próprio país. 
As referências reflexivas, propostas, projetos, organização e orientação do processo de transformação do estado de democracia representativa para o estado de democracia direta vamos encontrar na revolução na Espanha, na Itália, na Grécia, em Portugal, assim como reconhecemos a superação da crise pela Islândia um exemplo de revolução pacífica e descentralização dos poderes. Agora o sul europeu também caminha para a demissão dos políticos, a suspensão da dívida externa do país, a elaboração de uma nova constituição espanhola, a reorientação das relações entre Espanha e bancos e a identificação e julgamento dos responsáveis pela crise.


as eleições no Brasil e a Revolução Mundial

Nossa revolução não se limita a nosso país, pelo contrário, se firma e se estabelece em relação ao mundo. No Brasil estamos mergulhados num momento de eleições municipais, que é aparentemente inverso ao que propomos: enquanto o país vota em representantes políticos legitimando mais uma vez esse sistema corrupto, nós defendemos auto representação; enquanto elegem indivíduos para decidir os rumos da nação, nós propomos que o povo decida, propomos a mudança na legislação brasileira através de uma iniciativa popular que altera a lei para que a convocação de referendos e plebiscitos possa ser feita por nós, população brasileira. Entrando em vigor a alteração da lei proposta por nossa iniciativa popular poderemos apresentar propostas de plebiscitos e referendos diretamente, ou seja, sem mediação de políticos.
Esta é uma óbvia estratégia para mudar as regras do jogo político e abrir espaço em nosso país para que a população possa decidir as administrações públicas e a estrutura legislativa da nação independente de políticos, ou seja, pelo EXERCÍCIO DA DEMOCRACIA DIRETA.

Nossa campanha passou, e ainda passa, por inúmeros obstáculos que, no entanto, mais parecem miragens do que barreiras concretas, da dificuldade da população imaginar outra possibilidade de organização econômica e política, da organização e acesso a estruturas de difusão da proposta de iniciativa popular e coleta de um milhão e meio de assinaturas, do debate, reflexão e análise dos caminhos para um estado de democracia direta; das estruturas facciosas, partidárias, já estabelecidas, resistentes e disputando espaço dentro dos movimentos sociais, dos sindicatos, dos centros acadêmicos e das ocupações, occupy no país, com as quais lidamos em embates facciosos constantes ano passado, à consciência de que a revolução na Espanha, na África, no México e no EUA é a nossa mesma e única revolução. 

O país vive um momento em que é generalizada a insatisfação com as administrações públicas, a corrupção e o descaso com os serviços públicos, sempre insuficientes, a diferença entre os índices de riqueza e de desenvolvimento no país evidenciam a condição de indignidade vivida pela população.  A relação entre corrupção e representação política parece ser de interdependência, de coexistência, parecem existir uma pela outra de modo inseparável. 
Neste momento, mais uma vez estamos legitimando, autorizando, meia dúzia de pessoas a decidir sobre a vida, o trabalho, o consumo, os direitos, os deveres de milhões de brasileiras/os. São os limites de ação para as condições que vivemos hoje no país que nos levam a priorizar o apoio internacional à revolução na Europa, mantendo contínua atenção aos movimentos sociais indígenas pela propriedade das terras tradicionalmente ocupadas, aos movimentos sociais periféricos e locais, à proteção aos direitos humanos constantemente desrespeitados, como no caso da recente chacina de trabalhadores na África, aos movimentos políticos nas Américas, no México, no Chile, no Peru, este último também atingido gravemente, como o Brasil, pela ação de empresários que vivem da exploração mineral de terras latino-americanas. 

Em todos os lugares do mundo os povos reclamam dos representantes. Se essa insatisfação é generalizada, podemos dizer que a representação política tira da população o direito de decidir sobre o destino de seu país. Devemos explicitar a contínua prática de crimes neste sistema. Assim sendo, as condições e motivos pelos quais emergem a democracia direta, a descentralização dos poderes, a revolução mundial, tornam este movimento irrrepresável como as águas do Xingu. Sua beleza é cumulativa, democracia direta é paz. Trata-se da conscientização da população sobre um caminho de transformação das condições escravizadoras, indignas, opressivas sob as quais ainda vivemos. 

A atenção da população em nosso país está fragmentada e estamos nos esforçando para fazer convergir os interesses da população e as estratégias possíveis para mediar a situação política vivida por nós hoje e a proposta de democracia direta, de descentralização dos poderes econômicos e políticos no mundo. Por outro lado, a atenção da população voltada para as eleições diante do trabalho já realizado por nós no Brasil, os movimentos sociais diversos e as transformações/revoluções nos países europeus e em outros continentes, produzem uma reflexão intensa da população brasileira sobre o sentido da democracia representativa e a insatisfação sobre as administrações públicas.


o Brasil é uma nação primordialmente indígena que se misturou 

É fundamental frearmos ações patológicas. O continente foi e ainda permanece sendo peça importante no enriquecimento de poucos, pagando o preço com um "subdesenvolvimento" que mantém a população  em estado de pobreza e miséria.
Somos um continente heterogêneo e plural, formado por povos tradicionais e por povos migrantes, que sofreram e ainda sofrem massacres pela exploração ininterrupta e degradante dos recursos naturais. Além de criminosos contra seres humanos, esse sistema também é orientado por criminosos contra a Humanidade, pois nossa vida depende de sustentabilidade, e a exploração provocada por grupos minoritários nos condena à morte. 
O sofrimento e as perdas humanas são tão desesperadoras que só nos resta reconhecer o fato de estarmos sendo "governados" por psicopatas em cada crime realizado, em cada assassinato, massacre, chacina, enfermidade coletiva gerada pela manipulação mortal dos recursos. 

Como brasileiras/os e como América Indignada, nada temos para festejar, temos tudo por reconhecer. Reconhecer que o sistema que hoje afeta o elevado padrão de vida europeu e americano há muito vem nos roubando e escravizando, e que a política de austeridade fiscal do FMI, que hoje implica em cortes nos gastos dos investimentos e reflete em crise na política do Welfare State nos países desenvolvidos, há muito 
vem oprimindo os países periféricos, a exemplo do conjunto de medidas chamadas Consenso de Washington o qual fomos obrigados a engolir e que gerou recessão, desemprego e pobreza, da qual ainda tentamos nos recuperar e digerir, fazendo-nos pagar aquilo que não devíamos. 

Nós Brasileiras/os somos LATINO-AMERICANAS/Os: vamos lembrar que SOMOS AMÉRICA INDÍGENA, que as Américas do Sul, Norte e Centro, habitadas pelos povos indígenas desde os últimos 15, 20, 40 mil anos? É hora de reconhecermos as raízes mais profundas de nossa identidade humana no continente em que vivemos, o que temos intensificado no trabalho pela consciência das perdas irreparáveis que a hegemonização e massificação de valores “ocidentalizados” tem produzido em diferentes dimensões das nossas vidas.


crise ou resolução mundial?

A crise capitalista agora alcança seu epicentro e coloca para escanteio a apatia política dos cidadãos globais, que renascem e despertam para a realidade opressora e desigual de um sistema de caráter eminentemente expansionista, como capitalismo, que acima do bem estar dos seres e do planeta é orientado para a acumulação ilimitada de capital, favorecendo a concentração de renda, do poder e de privilégios nas mãos de um pequeno grupo que torna a vida humana insustentável.

Reacende nos indivíduos o desejo de mudança e indignação global que há muito nós, cidadãos latino-americanos e demais países periféricos, vínhamos sentindo. As nações estão voltando à reconhecer a necessidade de igualdade nas negociações, o que nunca deveria ter sido ignorado. Somos partes de um todo, de uma humanidade, devemos nos unir e integrar nossas ações por estarmos habitando o mesmo planeta. Podemos e devemos exaltar nosso espírito de bondade, solidariedade e complacência com o próximo, unidos por um sistema que traga melhoria para todos, reconhecendo que somos interdependentes entre tudo e todos, e que dependemos uns dos outros, reconhecendo que o desenvolvimentismo e exploração desenfreada acaba com o que temos de mais precioso, nossa Mãe Terra, Pachamama, filosofia indígena que orienta a compreensão da grandeza do planeta e do cosmos que nos nutre e acolhe, aos quais somos intrinsecamente dependentes.
Neste momento, reacende nos indivíduos o desejo de mudança e indignação global que há muito nós, cidadãos latino-americanos e demais países periféricos, vínhamos sentindo.  
A época de nos mobilizarmos tendo em vista estruturas partidárias acabou, a corrupção e impunidade deram espaço à descrença e desconfiança na democracia representativa, no sistema capitalista e afunda as estruturas desse sistema insustentável, que ainda tentam emergir. Nos apropriarmos dos poderes econômicos e políticos é nos apropriarmos do destino da humanidade, do nosso próprio destino e somos nós, unidos e fortalecidos, que escolheremos e criaremos nossas mais novas reivindicações e necessidades: PAZ, DIGNIDADE, RESPEITO EM RELAÇÕES SOB PODERES EQUITATIVOS.

Acima do EU, somente o NÓS. Somos cidadãs/ãos do mundo, e temos responsabilidade sobre o equilíbrio da vida no planeta que habitamos. Não há mais espaço para competição, dominação e exploração. Mágoas, conflitos e guerras também não serão mais aceitos, é tempo de reflexão, cocriação e união.

HAMPU PACHAMAMA





Texto de Jakeline De Souza e Ana Caroline Brustolin Kummer

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